É justamente nos momentos difíceis que se conhece quem está comprometido com o clube e quem estava apenas comprometido com o cargo.
Há dirigentes que, enquanto tudo vai bem, fazem questão de dizer aos seus detratores que as coisas mudaram, que agora é ele quem manda. E, quando conquista um torneio regional, chega ao ponto de demonstrar tamanha arrogância ao declarar: "Esse título vai calar a boca de alguns".
Mas existe algo ainda mais grave: aqueles que, quando o clube mais precisava de seus dirigentes, optaram por renunciar aos cargos para os quais foram eleitos. Em vez de permanecer, enfrentar os problemas e assumir as consequências de suas próprias decisões, preferiram abandonar suas responsabilidades, deixando para outros a difícil tarefa de tentar salvar a instituição.
Mais grave ainda é quando essa saída acontece sob a perspectiva de que aqueles que assumirem, ao término do mandato originalmente conferido aos renunciantes, acabem carregando o peso da crise, respondendo pelos problemas e sendo responsabilizados por uma situação que não criaram.
Se essa foi a intenção, estamos diante de uma postura que ultrapassa a simples omissão. É uma atitude covarde, mesquinha e profundamente incompatível com o compromisso que se espera de quem se propôs a dirigir uma instituição quase centenária.
Quem aceita um cargo de direção precisa compreender que o mandato não representa apenas prestígio, poder ou reconhecimento. Representa, sobretudo, responsabilidade. E responsabilidade não se abandona seletivamente, apenas quando o cenário deixa de ser favorável.
Mas existe também o outro lado. Pessoas que, mesmo sem mandato, sem função, sem remuneração e sem qualquer obrigação formal, permanecem. Continuam presentes, oferecem experiência, procuram soluções, enfrentam dificuldades e, muitas vezes, assumem responsabilidades que nem sequer lhes caberiam.
Essas pessoas não precisam de cargo para demonstrar compromisso. Não precisam de posição para trabalhar, tampouco de reconhecimento para fazer o que acreditam ser necessário.
É importante compreender que um clube não pertence a uma gestão, a um grupo político ou a quem ocupa momentaneamente uma cadeira. Pertence à sua história, aos seus torcedores e a todos aqueles que verdadeiramente se importam com seu futuro.
Cargos são passageiros. Mandatos terminam. Grupos se desfazem. Mas a instituição permanece.
E talvez a maior diferença entre quem ocupa um cargo e quem realmente tem compromisso com um clube esteja justamente nisso: alguns só permanecem enquanto têm algo a ganhar; outros permanecem mesmo quando já não têm nada a receber.
No futebol, como na vida, a lealdade não se mede nos dias de festa, mas na disposição de lutar quando quase todos já foram embora.
Não é digno receber os méritos nos dias de glória e fugir das responsabilidades nos dias de crise. Quem ajudou a conduzir o clube precisa ter a mesma disposição para enfrentar as consequências de suas decisões.
O clube precisa de menos pessoas preocupadas em ocupar espaços e de mais pessoas dispostas a assumir responsabilidades. Porque, no final, a história não será contada apenas por aqueles que ocuparam cargos, mas também por aqueles que, quando tudo parecia perdido, tiveram coragem de permanecer e lutar.


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