Vamos falar de coisa boa hoje, porque ela existe, e o Goiás está entregando ela em dose dupla. Vitória sobre o CRB, de virada, em casa, naquele tipo de jogo que empurra o Hailé Pinheiro pra cima do time. Resultado: 55 pontos, 7º colocado, exatamente colado no CRB, que ocupa a última vaga do G6. Faltam só duas rodadas pro fim da fase de classificação, e o sonho do acesso segue vivo, matemático e, principalmente, emocionante de acompanhar.
E esse ano o caminho ficou mais generoso. Pela primeira vez em vinte anos, a Série B tem playoff. Só o 1º e o 2º colocados sobem direto. As outras duas vagas pra Série A saem de mata-mata entre 3º x 6º e 4º x 5º, em jogos de ida e volta. Ou seja, o Goiás não precisa brigar só por posição isolada, precisa estar vivo no grupo que disputa essas chaves. E, com duas rodadas pela frente e a cola que o time deu no G6, seguimos dentro dessa conta.
Agora, antes de qualquer comemoração, cabe parar um segundo e lembrar de quem está fazendo tudo isso acontecer. Depois da vitória sobre o CRB, o técnico Mozart revelou, sem meias palavras, que o elenco está há quase quatro meses sem receber salário. Quatro meses. E, mesmo assim, o time correu, lutou, virou jogo e entregou um dos resultados mais importantes da temporada. Isso não é resultado de sorte, é caráter. É gente que decidiu, dentro de campo, não deixar a dificuldade de fora virar desculpa.
Por isso, esse é o momento de apoiar, com toda a energia que o torcedor tiver disponível, até onde o campeonato permitir. Não importa se vai dar certo ou não no fim, o que importa agora é reconhecer o esforço de quem está entregando o corpo mesmo sem motivo financeiro nenhum pra fazer isso.
E tem um detalhe que vale lembrar, até como motivação extra: o acesso à Série A não resolve tudo, mas resolve muito. A diferença de receita de televisão e patrocínio entre as duas divisões é enorme, e Série A significa, na prática, caixa novo, respiro financeiro imediato e fôlego pra equacionar justamente esse tipo de atraso que o elenco vem enfrentando. Subir não é só prestígio esportivo, é solução concreta de parte do problema que tira o sono de todo esmeraldino.
Faltam dois jogos. O sonho está vivo. E o time já mostrou, com salário atrasado e tudo, que sabe lutar até o apito final. Bora com tudo até o fim, Esmeraldino!


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