O empate por 1 a 1 diante do Cuiabá, na Arena Pantanal, poderia ser tratado como um ponto importante conquistado fora de casa. O problema é que, pelo contexto da partida e principalmente pela necessidade do Goiás na Série B, fica difícil enxergar o resultado dessa maneira.
O Verdão teve a oportunidade de voltar para Goiânia com três pontos. Jean Carlos abriu o placar aos 28 minutos do primeiro tempo, após assistência de Anselmo Ramon, e colocou o Goiás em vantagem. No entanto, o cenário mudou completamente depois do intervalo. Aos 73 minutos, Vinícius Peixoto marcou para o Cuiabá e definiu o empate.
Mais preocupante do que o placar foi a diferença de comportamento entre as duas equipes na etapa final.
Goiás recuou — e pagou o preço
Depois de sair na frente, o Goiás passou a atuar cada vez mais próximo de sua própria área. O Cuiabá ganhou território, aumentou a pressão e transformou o segundo tempo em um cenário muito diferente daquele que o torcedor esmeraldino gostaria de ver de uma equipe que ainda pretende disputar o acesso.
Os números ajudam a dimensionar o que aconteceu: o Cuiabá terminou com 26 finalizações contra apenas cinco do Goiás, além de sete chutes no gol contra dois do Verdão. O time mato-grossense também teve nove escanteios, enquanto o Goiás não cobrou nenhum.
A pergunta, portanto, é inevitável:
por que um time que precisava tanto vencer abriu mão de atacar depois de conseguir a vantagem?
Mozart: “Não foi uma decisão minha recuar”
Depois da partida, Mozart foi questionado justamente sobre a postura adotada pelo Goiás no segundo tempo.
O treinador negou que tenha determinado que sua equipe recuasse. Segundo ele, a pressão alta e a estrutura utilizada pelo Cuiabá dificultaram a saída de bola do Goiás e fizeram a equipe optar por uma marcação mais baixa.
Mozart também assumiu a responsabilidade pelo desempenho e explicou que as substituições de Anselmo Ramon e Kadu Sousa no intervalo ocorreram por questões físicas. O treinador reconheceu ainda que, sem Kadu, o Goiás perdeu profundidade.
A explicação é importante. Mas também aumenta o tamanho da discussão.
Se a intenção não era simplesmente entregar o campo ao adversário, o Goiás precisa entender por que teve tanta dificuldade para sair da pressão.
Porque uma equipe que deseja disputar as primeiras posições da Série B não pode depender apenas de conseguir uma vantagem e tentar sobreviver até o apito final.
Um ponto conquistado ou dois desperdiçados?
Esse é provavelmente o principal debate deixado pela partida.
Empatar com o Cuiabá na Arena Pantanal, isoladamente, não seria um desastre. Só que o Goiás não está numa situação em que possa analisar cada resultado de forma isolada.
O Verdão chegou aos 33 pontos, ocupa atualmente a 10ª colocação e está a três pontos do G-6. Mais importante: a equipe agora acumula três partidas consecutivas sem vencer.
E existe uma diferença enorme entre estar a três pontos do G-6 e apresentar futebol de candidato ao acesso.
É justamente aí que está a preocupação.
O campeonato ainda oferece tempo para recuperação. A distância matemática continua administrável. Mas o Goiás precisa transformar possibilidade em desempenho.
A tabela ainda permite sonhar. O futebol precisa acompanhar.
O regulamento desta Série B torna cada posição ainda mais importante. Os dois primeiros colocados conquistam o acesso direto, enquanto os clubes que terminarem entre 3º e 6º disputam os playoffs de acesso.
Portanto, o objetivo imediato do Goiás precisa ser entrar no G-6.
E o calendário oferece uma oportunidade.
Dos próximos seis compromissos, cinco serão disputados em Goiânia. Depois do São Bernardo, o Goiás recebe o Fortaleza, enfrenta o Vila Nova também na capital, visita o Botafogo-SP e depois encara Avaí e Atlético-GO em casa.
Se existe um momento para reagir, é agora.
Felipe Clemente chega em meio à cobrança por gols
Outro personagem que passa a fazer parte desse cenário é Felipe Clemente.
Contratado pelo Goiás na última quinta-feira (20), o atacante viajou com a delegação para Cuiabá, mas não pôde ficar no banco porque ainda estava impedido de atuar em razão da situação envolvendo o transfer ban do clube.
A expectativa em torno do reforço é natural. O setor ofensivo precisa de alternativas, e Clemente chega justamente em um momento de cobrança por maior produção.
Mas seria injusto — e perigoso — imaginar que um único jogador resolverá todos os problemas.
O Goiás precisa melhorar coletivamente.
O próximo jogo ganhou peso
Agora vem o São Bernardo.
A partida está marcada para sexta-feira, 28 de agosto, às 19h30, no Estádio Hailé Pinheiro, pela 25ª rodada da Série B.
Mozart já sabe que terá pelo menos um problema: Luisão está suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Além dele, Anselmo Ramon e Kadu Sousa preocupam justamente pelos problemas físicos apresentados diante do Cuiabá.
Mas, independentemente de quem estiver disponível, a cobrança será a mesma.
O Goiás precisa voltar a vencer.
E não somente porque precisa dos três pontos.
Precisa vencer para demonstrar que ainda possui capacidade de reagir, competir pelas primeiras posições e transformar o discurso de acesso em algo visível dentro de campo.
A pergunta que fica
O empate em Cuiabá não acabou com as possibilidades do Goiás. Longe disso. A distância para o G-6 ainda permite recuperação.
Mas o desempenho deixa um alerta.
Se Mozart não pediu para o time recuar, por que o Goiás parou de jogar?
A resposta para essa pergunta talvez seja mais importante do que explicar o 1 a 1.
Porque a Série B está avançando, a margem para erros está diminuindo e, daqui para frente, não será suficiente dizer que ainda dá.
O Goiás precisa começar a mostrar, dentro de campo, que realmente quer subir.

